Como peixe na água!


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Mãe, quero ir para a natação!

Esta foi uma frase muito repetida pela minha filha de 3 anos, com intensidade e entusiasmo. O irmão também anda na natação e portanto, era algo que ela também queria experimentar. E lá fomos nós fazer a inscrição e esperar pelo dia D.

Nas primeiras aulas foi toda sorridente e despachada como sempre é, entrou para a piscina sem receios e fez tudo o que o professor pediu. Ao contrário dela e de outras crianças, havia um menino parado junto à piscina. Literalmente, não se mexia!

Eu estava sentada a assistir à aula e apercebi-me que ao meu lado estavam os pais, pois bracejavam e diziam: “vai, vai…olha os outros meninos…vai…olha para ele, coitadinho…”

Os pais fizeram várias tentativas através de palavras e gestos e nada… Entretanto fui percebendo, pelo que falavam, que esta criança tinha pavor da água e que o inscreveram, precisamente, para ultrapassar essa dificuldade.

A aula foi avançando e o menino cumpria o seu papel na perfeição, não se mexeu, nem cedeu às tentativas dos pais. Seria este comportamento intencional? Seria uma forma de ter a atenção dos pais? Ou uma forma de mostrar que estava receoso por ser algo desconhecido? Bem, são múltiplas as possibilidades, no entanto de uma coisa tenho a certeza, aquele menino estava a comunicar a sua vontade numa atitude de desafio e afirmação.

Enquanto a mãe falava com o professor disse-lhe: ” eu já sabia que isto ia acontecer…” e  começou a chamar o filho para sair da piscina, numa atitude de desistência.

Aí, aí a minha vida! Por muito que eu tentasse não intervir, foi mais forte… abordei os pais na tentativa de tranquilizá-los, partilhando com eles alguma da minha experiência. Entretanto, percebi que era o primeiro filho e compreendi, na perfeição, o motivo de tanta ansiedade e expectativa. Com o primeiro filho, é mesmo assim, somos inundados de expectativas e achamos que tudo tem de ser perfeito.

Passados alguns minutos aqueles pais estavam mais calmos e o menino sentado na borda da piscina com os pés dentro de água. Yes! Que vitória… aqueles pais continuavam agitados e ansiosos, expectantes face ao que viria depois.

Este é um sentimento comum no exercicio da parentalidade, no entanto há que aprender a manter a calma, pois só assim a criança se sentira segura e disponivel para a nova experiência. A atitude dos pais é fundamental!

E querem saber mais? Quinze dias se passaram e aquela criança nem parecia a mesma… com uma alegria imensa nas aulas e prazer de estar na água.

Ao contrário deste a minha filhota resolveu inciar o seu processo de adaptação… assim começou a dizer que não gostava da natação e que não queria ir mais à piscina. Pensei, será verdade? Ou estárá a fazer Bluf?

No auge dos seus 3 anos e tendo a necessidade constante de marcar as suas posições, fui buscá-la à escola, entra no carro e afirma a pés juntos: Eu hoje não vou à natação! Ai a minha vida… Eu que estava tão feliz e tranquila porque a minha filha estava radiante com a piscina. Devo acreditar? Será que acontecu alguma coisa na aula?

Depois de avaliar se existia alguma razão para tal atitude, pensei rápido e decidi que não poderia ceder….é a pior coisa que podemos fazer com um filho. Então embarquei na viagem que me iria levar ao exercicio correto da minha função como mãe.

Como pais nem sempre podemos fazer o que é mais fácil ou que nos convem, temos que pensar nas consequências dos nosso atos no desenvolvimento da criança. Dói, se dói… mas rapidamente percebemos que estamos no caminho certo!

Ficariamos horas para vos detalhar cada birra, palavras afirmadas, antecipações do dia da natação, enfim… o que é certo é que com o meu coração apertado, com a lágrima no canto do olho, com vontade de desistir, mas com grande determinação e firmeza a minha filhota, mesmo com a recusa foi sempre à piscina. E dentro de mim pensava…só vai faltar se estiver doente e de preferência que não seja agora, pois a persistência e repetição do comportamento é que a iriam ajudar a adaptar-se.

De semana para semana a intensidade da recusa diminuía, e mesmo com choro até à entrada na piscina, depois de lá estar ninguém diria o que tinha acontecido antes. Compreendeu que a disciplina não era negociável e que querendo ou não ia à aula.  Esta é uma atitude que reforça a necessidade de levar uma tarefa até ao fim.

Conhecendo o temperamento dos nossos filhos e a forma que utilizam para nos seduzir, podemos antecipar os seus comportamentos e conseguir moldá-los mais facilmente.

Há dias encontrei-a a ver um video de bébes na piscina. Afinal andava a pensar no assunto…

Passados três meses a minha princesa está como peixinho na água!

Ensinar os meus filhos a desistir, nunca, ensiná-los a enfrentar os seus medos e dificuldades, sempre.

Amor e Disciplina dois ingredientes indispensáveis na educação, sempre acompanhados de coerência e consistência!

Espero que tenham gostado desta partilha e que vos possa ajudar para compreender situações que aconteceram ou que possam vir a acontecer!

Conceição Pereira
Amor d`3ducação
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