No planeta das chuchas: passos para ajudar a criança

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Fonte: Pinterest


O uso da chupeta é um tema polémico na sociedade atual, pois se há quem seja adepto, também há que seja contra a sua utilização. Verdade seja dita que inúmeros estudos comprovam que o uso inadequado ou prolongado da mesma interfere no desenvolvimento da criança, principalmente ao nível do aparelho orofacial e consequentemente na aquisição da fala) .

Por questões sociais, familiares ou culturais, a verdade é que a chucha é uma aliada da grande maioria dos pais. Aliás, hoje em dia já faz parte do enxoval do bebé, várias chuchas de diferentes formas, cores e marcas (Há quem ache muita piada!!). Como se não chegasse,  inventaram uma fitas para que chucha e criança estejam sempre juntos… e nós recorremos a tudo e mais um bocadinho sem pensar no depois. Damos esta opção, mas há um dia em que queremos tirar!!

Sendo um hábito introduzido precocemente torna-se difícil a sua anulação dois ou três anos depois. Tendo em conta esta complexidade e o seu impato no bem-estar emocional da criança é necessário preparar a criança para que este processo decorra dentro da normalidade. Há muito quem ache que se é para tirar tem que ser de vez e custe o que custar. Desculpem, mas não posso concordar. Este processo pode ser gradual e bem integrado no psíquico da criança, se existir uma preparação correta e acima de tudo se acontecer no tempo certo.

Porque já passei por este processo 2x como mãe e umas boas dezenas como educadora, estou perfeitamente à vontade para aconselhar e partilhar o que funciona na prática (A teoria por si só não é suficiente).

Chegada a altura de retirar a chucha, a criança deverá ser preparada e apoiada nesta fase tão importante do seu desenvolvimento. Cada criança é única e mesmo entre irmãos as experiência podem ser muito diferentes.

A retirada da chucha envolve uma perda de uma objeto de consolo e a capacidade de auto-regulação, portanto deve ser um processo gradual e uma vez iniciado não deve ser interrompido (Coerência e consistência). É fundamental a disponibilidade física e emocional, de todos os adultos que com ela convivem (escola/casa), devendo estes atuar em sintonia.

Aqui ficam alguns passos rumo ao objetivo:

  1. Tratar o tema com naturalidade, sem fazer dele o centro da vida da criança é a abordagem mais adequada

  2. Limitar o uso da chucha em momentos do dia, reduzindo o nº de horas de utilização. Esta prática envolve o não transportar a ou as chuchas para todo o lado. Sim, porque há quem tenha uma em cada divisão da casa, no carro, na escola… nem quero ver!

  3. Não utilizar métodos radicais ( como colocar produtos na chucha, cortar, atirar pela janela)

  4. Se a chucha estiver estragada ou em risco de romper não compre outra, pois essa opção confunde a criança (quer que eu deixe a chucha e compra uma nova?)

  5. Introduzir histórias ou desenhos animados educativos sobre o tema ajudará a criança a antecipar, compreender e modelar comportamentos

  6. Incentivar a criança a usar a chucha só em casa (dizendo-lhe que assim não se perde) e só permitir o uso à noite

  7. Retirar a chucha quando a criança adormecer, explicando-lhe que irá fazê-lo, mas que a chucha ficará junto à almofada, caso precise

  8. Combinar com a criança um dia oficial para deixar, de vez, a chucha (aniversário, férias, viagem) e assinalar o momento com algo especial.

  9. Utilizar simbolismo para a criança deixar a chucha ( deixar na árvore ou na arca das chuchas, entregar ao pai natal ou enviar para a fada das chuchas, vale tudo no mundo da fantasia!)

  10. Reforçar o contato físico e disponibilidade para a hora de deitar, pois pela falta da chucha a criança tende a demorar mais a adormecer (não se assuste são só uns dias)

  11. Oferecer alternativas quando a criança chora porque quer a chucha, distraindo-a com outras atividades ou brinquedos. É uma técnica que, no momento certo funciona (as crianças são persistentes para nos deixar de rastos, sejam firmes e criativos!). A existência de um boneco preferido pode facilitar.

  12. Elogiar cada conquista com amor e recompensar com momentos e brincadeiras de uma criança crescida. Evitar a recompensa material.

  13. Deixar a criança descobrir como é viver sem chucha e apoiá-la incondicionalmente nesta maravilhosa aventura!

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