Retirar as fraldas com tranquilidade

“Autonomia é um processo que se constrói entre a liberdade individual e as limitações impostas pela sociedade”

(Mogilka, 1999)

Deixar as fraldas é um desafio exigente para pais e filhos. Para alguns é sinónimo de alívio no orçamento familiar. Não obstante, sendo uma fase importante do desenvolvimento infantil deve ser um processo natural, tranquilo, que respeite o ritmo e necessidade da criança.

Qual é a idade adequada para retirar a fralda? Não existe uma idade exacta. Do ponto de vista social, espera-se que aconteça até os três anos, altura em que a criança terá as estruturas para esta aquisição (por onde se constrói uma casa?)

Quando começar? Não existe uma data certa para o controle dos esfíncteres. O mais importante é perceber qual é o “tempo da criança”. Tal acontece quando se observam os pré-requisitos neurológicos, comportamentais e emocionais.

Qual é o tempo da criança? Quando se observam, na criança, os seguintes sinais:

  1. Revela consciência do corpo identificando as partes que o compõem

  2. Domina a marcha e consegue permanecer quieta durante alguns minutos;

  3. Consegue comunicar e expressar vontades (diz xixi ou cocó, mesmo que fora de tempo)

  4. Sabe dizer “Não” (como costumamos dizer “tem vontade própria

  5. Imita comportamentos dos pais ou de irmãos mais velhos, nomeadamente na ida à casa de banho

  6. Mantém a fralda seca durante uma a duas horas durante o dia;

  7. Tem horários regulares para fazer cocó

  8. Demonstra satisfação pela conquista que está a empreender

Quanto tempo demora o processo? Não existe um tempo definido… é o necessário para que a criança consiga integrar a nova experiência e dizer adeus às fraldas.

Existem um método 100% eficaz? Considero que não. O sucesso do desfralde não depende de “métodos ou produtos XPTO´s” mas de atitudes e comportamentos adequadas e coerentes. Ajudar a criança a conhecer o seu corpo e a desenvolver uma auto-estima positiva é meio caminho andado para o sucesso.

Os NÃO´s

# Não apressar um processo que deve ser natural

# Não ceder à pressão da avó, da tia ou da prima, de que a criança já devia ter deixado as fraldas. Compreender que cada criança tem o seu ritmo e  não deixar que isso se transforme num bicho papão

# Esta fase não deve ser uma imposição, mas antes uma necessidade da criança apoiada pelos adultos mais próximos

# Não associar o desfralde ao verão. É certo que facilita o processo, mas pode não coincidir com a altura ideal para a criança

# Não andar com o bacio pela casa. Afinal, cada espaço da casa tem uma função e a criança precisa ter isso bem presente

# Não expor a criança num processo que diz respeito à sua intimidade

# Não criticar ou fazer comparações com A, B ou C

# Não repreender ou castigar  a criança por uma distracção

# O controle dos esfíncteres não é ensinado… precisa de tempo para ser adquirido

# Retirar as fraldas não é responsabilidade da creche, é um processo que deve ser iniciado em casa

# Não usar “fraldas cueca” (dão uma sensação de conforto e induzem a criança a adiar o aviso ou a corrida para a casa de banho

# Não associar o momento de higiene com aparelhos e jogos eletrónicos

# Não confundir reforço positivo ou elogio com recompensa material, que é totalmente dispensável.

Os SIM´s

@ O processo de controle dos esfíncteres deve ser contínuo e gradual, uma vez começado não deve ser interrompido, para que não se verifiquem retrocessos

@ Tratar o tema com naturalidade, sem fazer dele o centro da vida da criança, é a abordagem mais adequada

@ É fundamental a disponibilidade física e emocional, de todos os adultos que com ela convivem (escola/casa), devendo estes actuar em sintonia

@ Observar a reação da criança aos aimentos e estabelecer um horário regular na utilização do bacio ou ida à sanita, para promover a integração da rotina (ao acordar, após refeições, ao deitar…)

@ Comunicar assertivamente com a criança. O reforço positivo é algo de extrema importância. Sempre que a criança atinja o objectivo (xixi/cocó no bacio), deve ser elogiada verbalmente com demonstrações de afecto

@  Reforçar as descobertas com recurso a brincadeiras e livros educativos

@ Deixar a criança experimentar e apoiá-la nesta maravilhosa aventura!

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